Nadegal

Foto-labial

Mas que leitura labial, caramba!?... A mania dos gajos que acabaram de nos conhecer de nos tirar fotografias é uma chatice. Já chega de pose que quero levantar-me e ir pentear-me.


O sexo é um esforço filosófico

O sexo é um esforço filosófico.

É por isso que só não retomamos esta questão depois de morrer.

Bola na área




Ele apresenta o onze inicial com os dedos no baixo ventre a abrirem o fecho das calças e a posicionarem o goleador num esquema táctico de 5-5-1. Ela faz saltar uma mama para fora do decote e apresenta-a no terreno de jogo. Bem jogado.

Ele desaperta os botões da camisa e mostra-se de peito feito em campo. Passa a bola. Ela atira com a blusa num remate ao nariz do adversário e em meneio de ancas faz escorregar a saia pernas abaixo. Ele sacode a perna a libertar-se das calças, saca as meias de uma virada e chuta tudo para canto. Vai fazer a cobrança. Aproxima-se da grande área. Cheira o relvado e gira a bolinha nos lábios entre os postes das pernas dela. Excelente visão de jogo. Ela apoia-se nas omoplatas dele e desliza para o contra-ataque avançando de língua em riste para o ponta de lança. Apito na boca. Vamos embora rapaziada. Sobreposição de campos e grande versatilidade em foras de jogo sucessivos. Ela passa a bola e ele domina o terreno de jogo. Vamos embora. 

Vai que não é para ganhar na secretaria. Só falta marcar. A bola começa a subir. Encosta à zona de penalty. Pontapé vai ser levantado e sai uma paradinha. Aguentar a pedalada. Vai lá uma trivela ou um efeitozinho para suar a camisola. Coração da área...e é golo, golo, golo, golo, golooooooooooooooo.

Cozinha de autor




A abrir o cardápio uma esmagada dos ovos estrelados e de melancia com suaves notas de saliva a brotarem dos lábios que conferem satisfação plena. Espevitou-me o paladar e avancei pelos ovos mexidos misturados com boa farinheira. Os ovos de compleição muito aceitável resistiam aos meus debicos mas a farinheira deixava-se deglutir completamente numa camilha translúcida tornando o prato original e viciante. O presunto de grande qualidade apoiava a degustação com presença.

Já nos pratos o linguado apresentava-se fresco e grande como convém e a carne era convincente sem lascar ao primeiro embate. O rolo atado tinha a consistência necessária para imprimir o ritmo de uma refeição luxuosa. O duo de tubérculos quase à borda do prato também ajudava à decoração do prato garantindo salivação permanente.

Recomendo a gastronomia deste chef que já repeti bastas vezes pela segurança que dá de requinte e satisfação do palato mais exigente. A carta de vinhos resume-se a um branco e um translúcido inicial mas no conjunto é uma solução perfeitamente equilibrada.

Digital



Contam-se pelos dedos das mãos os homens interessados em preliminares e o Senhor Doutor saberá isso melhor que eu com tudo o que ouve aqui no consultório. Os mais velhos por mor de se terem iniciado no sexo com putas e isso não constar no cardápio e os mais novos, acossados com a máxima da rapidez que não há tempo a perder  só querem saber é de pôr logo uma gaja de quatro e despejar tudo no menor tempo possível.

Daí o meu espanto quando percebi que o Sting dos preliminares colocava tanta dedicação em converter-me as mamas em fruta na concha das suas mãos e as sugava como se bebesse água de coco num qualquer paraíso tropical. Os seus dedos faziam dele mil homens. Os seus dedos que não paravam de me escalar enquanto a sua língua me descia a pele até serpentear na reserva natural de mim própria, deglutindo repetidas vezes aquele bicho que dá pelo nome de clítoris ou clitóris, consoante queiramos acentuar mais o início ou o meio.

Era sempre atordoada que depois mergulhava nele a debicar-lhe o topo da glande e as esponjinhas da base não esquecendo os meus dedos de lhe garrotear o mastro que como portugueses as artes marinheiras são sempre as primeiras. Mas creia-me Senhor Doutor que eu se fosse o Cesário Verde diria que o supremo encanto da merenda era quando já sôfrega pela sua dádiva no chapéu da minha boca inclui a próstata na brincadeira com um dedinho maroto a esfregá-la afincadamente e ele jorrava como aquele menino estátua de Bruxelas.

Êxtase



Fiz a catequese toda de fio e pavio e como todos os outros lá levei com a banalização da cópula naquela história do Adão e Eva que afincadamente vincava o lado animal da coisa personificado na marota da serpente. Depois ainda me encheram os ouvidos com mais uma banalização do acto, mas desta vez sacralizando-o na Virgem Maria que através do Anjo Gabriel concebeu sem pecado.
E confesso que me sinto feita num molho de brócolos porque não me quero vulgarizar como uma qualquer princesa de história de encantar e conceder ao coito o estatuto de passe social para viver feliz para sempre. Prezo muito a minha sanita que nas horas de aflição dá vazão aos movimentos instintivos para atingir o divinal prazer do alívio. Sou uma aficionada da gastronomia tanto por me saciar a fome como para praticar os rituais de deleite com as iguarias. E à escrita entrego-me com o primitivo instinto de comunicar e a paixão sagrada de fazer nascer com as minhas mãos e o meu corpo todo algo diferente de mim. O meu êxtase é olhar em redor e absorver até à última espinha.