Fast Food (2004-01-12)


Se já fui à net, Senhor Doutor?... Sim, Senhor Doutor já experimentei os chats. Conhece?... Ah, pois, Senhor Doutor, aquele sexo virtual que por lá se pratica é a vingança do chinês. Já reparou que obriga os homens a falar com as mulheres e a terem de constantemente mexer os dedos sobre as teclas?...

Por outro lado, qualquer mulher por mais caladinha que costume ser só se safa ali se gritar pelo menos uns «Oh! Ah! Sim! Não!». É óbvio que as webcam's vieram estragar a imaginação e a troca de algumas palavritas mas já nem sabemos viver sem a imagem de um monitor. Ele é o monitor da televisão para a própria e os dvd's, ele é o monitor do telemóvel para mandar mensagens em imagens e as nossas fotografias. Porque não fazer sexo com um monitor que até é uma coisa fácil de limpar com toalhitas?...

Sabe, Senhor Doutor, houve uma vezes que me encontrei num chat com um Floka347. Nunca soube o seu nome real nem a sua idade, nem de onde era nem o que fazia. De forma perfeitamente anónima ele criava um cenário, eu descrevia como aparecia nesse cenário e lá íamos desenrolando à vez, a participação de cada um no acto erótico, relatando os gestos, os olhares e reproduzindo as frases e os grunhidos próprios à ocasião. Terminava sempre de igual forma, como uma tagline, a vestirmo-nos e a partir com a palavra «Inté».

Só que sabe Senhor Doutor, aquilo é muito asséptico. É tudo sem cheiro, limpinho e seguro. É como comer um hamburguer no Mc'Donalds: não é comida a sério.

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