Hospitalidade (2004-07-01)

Ah Senhor Doutor, hoje estou tão feliz! A vida é um filme animado da Disney. Imagine o Senhor Doutor que eu ontem estive no Alvalade XXI a ver a selecção nacional mostrar que tem tomates e garra, toda eu equipada com uma camisolinha vermelha, de generosíssimo decote e uma saiazinha verde, toda ela preguinhas.

Na euforia do final, do mar de gente e de buzinas acabei por desembocar nas Docas no meio de um grupo de «tichartes» laranjas que davam para lavar bem as vistas e reparei nuns olhinhos meigos com jeito de gatinho a pedir festinhas em cima de um corpo proporcionalmente musculado e realçado por umas nádegas rijas enformadas nuns calções brancos. Oh Senhor Doutor, começou a alastrar por mim toda a característica nacional da hospitalidade e desviei o holandês para o Parque da Belavista, a pretexto de lhe mostrar o local onde decorrera o Rock in Rio. O calor dos nossos corpos derretia a ventania e transformava a relva num colchão fresco e macio. Apalpei-o palmo a palmo enquanto ele me vampirizava o pescoço e as orelhas. Mediu-me as laranjas e desceu para sugá-las enquanto eu lhe remexia os cabelos crespos e louros. O holandês foi escorregando cada vez mais e deslizou a sua língua, em linha recta, até ao umbigo e continuou por ali abaixo como se eu fosse um cacho de uvas. Retribui descendo do seu pescoço para os seus mamilos, acelerando até ao umbigo para ainda mais veloz o saborear, absorvendo a espessura que as minhas mãos acariciavam. Era perfeitamente audível a voz da Nelly Furtado a encher o ar com o «camone mai force, camone mai force». Ele puxou-me para ele e eu saltei-lhe para o colo, para ele finalmente meter golos sucessivos, em grandes penalidades estrategicamente estudadas. Sempre encaixados, agachámo-nos e eu acabei por o atirar para trás, para descansar o dourado dos cabelos na relva verde bandeira, enquanto eu galopava, de cabelos ao vento, à desfilada. As buzinas não paravam nas ruas circundantes e quase juraria que vi fogo de artifício na noite de Lisboa.

E Senhor Doutor lembrei-me foi do«Astérix entre os Helvécios» já que aquele holandês bom como o milho, brindado com uns olhos meiguinhos poderia perfeitamente exclamar «Estes portugueses são doidos! Primeiro, batem-nos; depois, tratam-nos das feridas!».

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