Linguagem gestual (2004-06-09)


Claro que tenho saudades dele, Senhor Doutor!... Ou melhor, tenho saudades da mão dele. E não... não, Senhor Doutor, não é da técnica digital dele que até era competente, embora ele fosse mais adepto da máxima de que «não há mulheres frígidas, há é má línguas».

Tenho é saudades de andar de mão dada pela rua fora, na penumbra do cinema ou até numa qualquer catedral de consumo, especializada ou diversificada, para comentar o que os olhos viam separadamente. Tenho saudades da telepatia manual que devia ser «franchisada» e da segurança adolescente de que o mundo cabe na palma da nossa mão.

Sabe Senhor Doutor, é uma porra saber que amar alguém é amá-lo pelo que é e não querer modificá-lo à nossa imagem e semelhança. E é uma porra porque ou encontramos alguém que também nos ama ou, se o outro percebe que somos assim, molda a nossa plasticidade até à figura decorativa que lhe convém.

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