O sonho (2004-01-31)


Não muito mas às vezes sonho, Senhor Doutor!... Sobretudo quando estou a entrar em depressão tenho um sonho recorrente.

Estou numa praia de areia branquíssima e com uma mar de um azul tão nítido que nem os imensos raios de sol o tornam verde. Nisto aparece um príncipe, loiro como todos os príncipes dos contos de fadas. Olha-me nos olhos e aproxima-se. E beija-me, abraça-me, afaga-me o cabelo enquanto dançamos descompassadamente, ventre contra ventre, ao som de «Lucy in the sky with diamonds».

O príncipe beija-me tão profundamente que sinto a sua língua desenrolar-se pelo meu esófago abaixo, atravessar-me o estômago, penetrar-me o útero e sair pela minha vagina para me fazer cócegas no clítoris. É então que o príncipe se transforma num gigantesco favo de mel que eu lambo de alto a baixo até à última gotinha de néctar. E depois, como num desenho animado, eu torno-me a areia da praia e o príncipe o mar azul que desenrola as suas ondas de espuma.

Passado algum tempo que tanto pode ser um segundo, como um minuto, como longas horas retomamos as nossas formas habituais apenas com a diferença de ficarmos ambos com os olhos de um azul tão nítido como o mar. O príncipe loiro acena-me e num clique desaparece surgindo no seu lugar um indiano a abarrotar de canudinhos de rosas que me pergunta «Quer frôr?».

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