Relaxante (2004-07-14)

Sim Senhor Doutor, tenho seguido o seu conselho de me masturbar regularmente. É tão relaxante! Não conheço nada melhor para adormecer sossegada e profundamente, como se na vida tudo corresse sobre rodas e estivesse nas nuvens. Durmo todas as noites, as horinhas todas seguidas!

E depois, sabe, Senhor Doutor, ele há dias que estamos tão cansadas do trabalho que já não há paciência para recitar aquela ladainha toda do «és muito bom na cama!», «adoro que me comas!», «ai, estás com ele tão grande!» para aqueles eternos inseguros dos homens se sentirem desejados e essenciais ao mundo. O Senhor Doutor saberá melhor do que eu a quantidade de coisas que nós mulheres temos de dizer aos homens para eles se sentirem prontos. Se dizemos simplesmente «Bora p'á cama!», baixa-lhes logo o mastro, mas deixe lá Senhor Doutor, que isso são outras histórias.

A questão é que quando me masturbo é tudo muito mais prático: consigo ter um orgasmo em 10 minutinhos em vez dos necessários 40, com um homem. Pela simples razão de que eu sei exactamente onde está o meu clítoris, qual a intensidade que devo ir imprimindo ao dedo e se me apetecer, meto ou não, dois dedos na vagina, mas consigo saborear plenamente o momento. Aliás, porque o fundamental é a imaginação e quando nos masturbamos podemos estar na cama com quem quisermos. Pode ser com os clássicos George Clooney ou Brad Pitt, ou com o vizinho do lado, ou com o futebolista do momento, ou com aquele gajo lindíssimo que estava na bicha do posto de gasolina para pagar, ou com o Shreck ou até com todos os bombeiros voluntários de Alguidares de Baixo ao mesmo tempo. Masturbarmo-nos é como estar naquela canção do Jorge Palma em que ele diz «na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal».

Sabe, Senhor Doutor, cada vez acredito mais que a única coisa para a qual as mulheres não precisam para nada dos homens é para fazer sexo, salvo nas excepçõezitas daqueles que conseguem fazer do acto uma oportunidade de comunicação.

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