Rotulagem


Oh senhor doutor eu estou-me nas tintas para os rótulos. Benditas as primeiras rugas que nos fazem esquecer os rótulos e as apreciações dos outros, senhor doutor!...

Eu estava triste, tão triste que nada me fazia sorrir ou me prendia a atenção. Então senti que se colava a mim, que fazia questão de me ouvir e que inventava programas para me distrair. Aqueles cabelos loiros pequenitos e aqueles olhos verdes enormes e sorridentes começaram a aquecer-me o corpo e a fazer-me sentir aquilo que todos queremos sentir na vida: sentirmo-nos amados. É a única coisa que todos queremos da vida, não é senhor doutor?...

Sim, já sei que não vai responder e que vai reafirmar que cada um tira as suas conclusões mas o que eu disse é o que penso mesmo. E depois, senhor doutor, porque lhe quero explicar que foi por me sentir amada que quando ela me pegou na mão, eu imediatamente lhe estendi os lábios para um longo beijo; quando ela me tocou os seios e com as pontas dos dedos me dedilhou os mamilos, eu literalmente cai sobre o seu pescoço para o beijar e lamber de alto a baixo.

O que eu quero dizer senhor doutor é que apesar de ser a primeira vez que acariciava os seios de uma outra mulher e lhe conhecia ao vivo o sabor, a sensação que tinha era a de que tudo não era estranho, como se sempre lá estivesse estado. E depois, senhor doutor, ela sabia sugar-me em todos os pontos essenciais com uma língua musculada e dançante tal como sabia passar os dedos como se fora eu própria. Mesmo quando me penetrou com um dildo duplo, tudo foi no tempo e no ritmo certo, de forma que nada me pareceu desconhecido. A não, senhor doutor que o prazer seja uma coisa estranha no nosso corpo.

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