Vestido ou não?


Oh Senhor Doutor afirmo-lhe e reafirmo-lhe que só me irritam solenemente os homens que não se despem. Claro que não estou a falar da roupinha que isso é a primeira coisa que eles fazem facilmente, para fazerem saltar cá para fora aquele pedacinho de carne que lhes dá a segurança de serem homens e de terem alguma coisa na vida, como na publicidade da Volkswagen.

O difícil, Senhor Doutor, é despirem a máscara de sedutor, de charmoso, de filhinho atencioso, de pai empenhado ou de profissional de qualquer coisa e mostrarem o homem que são. É especial a forma como contam todos os boatos que circulam no local de trabalho ou então, todas as peripécias que sofreram no trânsito caótico, mais a discussão com o vizinho do andar de baixo mas... se lhes perguntarmos directamente se gostam de ser acariciados nos testículos ou nas nádegas enquanto lhes fazem sexo oral, coram de orelha a orelha, sorriem para disfarçar os nervos e devolvem a pergunta «Então tu não sabes?!...», rezando a todos os santinhos para que se tenham safado desta.

E ainda lhe digo mais Senhor Doutor: se a pergunta incidir sobre o seu agrado ou não em fazer sexo oral a uma mulher e qual a posição que preferem para isso, fazem um autêntico bailado verbal para rigorosamente nada dizer, falando, usando expressões do género «Essa é muita gira!», «Passar o corredor a pano é um dever!»,«Nunca tive reclamações!».

Oh Senhor Doutor, é sabido que não há regra sem excepção mas como já lhe disse, a minha vida dava para dez filmes do Manoel de Oliveira e olhe que não sei se ao todo conseguia ver no ecrã três homens despidos.

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