Em peças, para montar


Oh Senhor Doutor desculpe ter estado tanto tempo sem vir aqui mas estendi-me na cama e estava lá tão quentinha que nem me apeteceu sair. Eu sei que era uma razão acrescida para passar por cá, Senhor Doutor, mas fui me deixando ficar, de comando em punho, numa atitude tipicamente masculina, a espreitar por aqui e por ali até a alteração de canais me ter baralhado o esquema todo.

No entanto, Senhor Doutor, deixe que lhe diga que a olhar tanto para o ecrãnzito, descobri uma janela para o paraíso. Os homens deviam ser como os computadores. Como diz o Sérgio, deviam vir em peças para montar. Repare o Senhor Doutor que quando vamos a uma loja de informática pedimos para nos fazerem um computador à medida: um processador X, uma motherboard Y, muitos megas de memória, uma placa gráfica Z e ainda acrescentamos um monitor 123 e um teclado ABC e não esquecemos o muito importante rato XY-123. E pensei assim que seria uma enorme vantagem se pudéssemos configurar assim os homens, não acha Senhor Doutor?...

Uma coisa assim do tipo... Olhe, se faz favor... Eu quero um daqueles que fale, mas que diga efectivamente alguma coisa, com alguns miolos que lhe permitam perceber a realidade à sua volta, perceber-me e ser criativo na cama. Junte também umas orelhas com boa capacidade de recepção para que me escute mesmo. Por favor, coloque também o processador numa caixa minimamente atraente ou pelo menos cujo design não faça barrigas de cerveja ou uísque. Junte uma placa de mimos diários com capacidade para toneladas de beijos profundos e longos, retardantes da pressa de vazar os tomates. Ah e quanto ao rato, pode ser um qualquer desde que funcione e não se tenha de estar sempre a limpar as bolinhas. Porque convenhamos, Senhor Doutor, pedir que fosse de chocolate era um manifesto exagero.

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