Tradições


Ai Senhor Doutor, tinha mesmo de vir aqui desabafar a depressão de Natal e deitar para fora aqueles sonhos encharcados de sorrisos colados a cuspo na cara, só porque todas as famílias são felizes neste dia em que se comemora a partogénese que terá ocorrido à 2008 ou 2010 anos.

Pois é, Senhor Doutor, tantos doces com leite, azedaram-me. Mais valia um batidinho!... Ou daqueles que bebia com duas palhinhas com o 17. Sabe, Senhor Doutor, nós arrendámos umas minúsculas águas-furtadas, para desespero da vizinha da frente que continuamente nos via escarrapachados, com as cabeças sempre enfronhadas no meio das pernas do outro, por nem sequer termos tempo de nos lembrar de fechar a janela.

Não contentes com isso, forrámos o espaço a espelhos de metro e meio, de forma a conseguirmos uma visão em profundidade dos nossos exercícios na barra fixa. Aplicávamos-nos mesmo no estudo e como diz alguém, era muito trabalho, muito trabalho, que só a banheira e muita espuma sossegavam.

Um dia, Senhor Doutor, fizémos cada um um golpe no polegar esquerdo e unimo-los, numa tradição índia. Pena foi, Senhor Doutor, que depois nos atormentasse o incesto.

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