Dia de azar

Ai Senhor Doutor, hoje vesti um daqueles vestidos pretos colantes, a que eu chamo cartazes-come-me-come-me e não é que a porcaria do fecho éclair encravou ?!... Já antes, estava eu com todo o cuidadinho a calçar a meia esquerda, sentada na borda da tampa da sanita quando o gato me saltou para o colo e com a unha, zás, conseguiu uma recta perfeitinha de alto a baixo.

E assim, Senhor Doutor, telefonei para o trabalho desculpando-me com uma falta de água para o banho, enfiei umas calças de ganga e uma camisola de lã e cá estou eu.

Porque sabe Senhor Doutor, eu já desde ontem que não me sentia nada bem. Imagine que me fui rapar, de espuma de barbear e gilette em punho e descobri pelo espelhinho que tinha dois pelinhos brancos. Ai, Senhor Doutor, na cabeça podemos puxá-los, fazer madeixas ou pintá-los com as cores que nos apetecer, agora ali... Deu-me umas ganas que desatei com a lâmina para cima e para baixo, tipo corta-relva num estádio e com tal força, que fiquei que nem o Cristo no filme do Mel Gibson.

E aí Senhor Doutor, tive saudades daquele publicitário que adorava cabelinhos encaracolados, para se encostar a mim, frente ao espelho a admirar um ser com duas cabeças sobrepostas, quatro braços, umas mamas e um pénis.

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