Porra!


Oh Senhor Doutor, a minha avózinha costumava dizer que «era preciso procurar o jeito aos homens». Tirou esta conclusão da noite de núpcias, nos idos de 1920, em que deixou ficar apenas a combinação e o meu avô acostumado às casas de putas francesas se sentiu no direito de lhe exigir que se apresentasse toda nua e lhe deu uma estalada.

Oh Senhor Doutor, seja um minuto ou 10 anos, a procura do jeito do outro tem de ser mútua, tanto mais que nos tempos que correm não são doze centímetros de pele que conferem porra de autoridade nenhuma. Ai, desculpe Senhor Doutor, saiu-me... e se a minha avózinha, que era do Porto, me ouvisse, dizia-me logo que isto era uma grande asneira.

Mas sabe, Senhor Doutor, parece-me que ao longo destes anos todos, as coisas ainda não mudaram assim tanto. Estou-me a lembrar Senhor Doutor, de alguns tipos que se dizem de esquerda, defensores da igualdade e que mal entram a porta de casa deixam a ideologia pendurada no bengaleiro da entrada como se fosse um chapéu. Seja com a mãe, seja com a mulher, não desempenham uma única tarefa doméstica, a não ser Senhor Doutor que ler o jornal, ver os jogos de futebol na televisão e encher copos de uísque, conte. E usam aqueles argumentos esfarrapados do nunca fiz e não sei fazer, a minha mãe educou-me assim, não fazes isso por mim, os tomates!... Ai, desculpe, Senhor Doutor, mas pensar nisto irrita-me mesmo!...

E o ar com que eles acham normal que os filhos sejam um encargo das mulheres e que sejam elas a falhar no trabalho para dar assistência à família. E depois ainda têm o desplante de afirmar que há falta de mulheres na política e defendem o sistema de quotas. Pudera! Com as condições existentes e salvo as excepções que confirmam a regra, só as super-mulheres ou as mulheres sem filhos podem participar activamente na política e o resto é folclore.

Eu só lhe digo Senhor Doutor que se pudesse voltar atrás no tempo e encontrasse o fulano que inventou a agricultura, esganava-o.

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