Técnica do 123

Oh Senhor Doutor, as salas de chat são lugares de engate onde se aplica a clássica técnica do 123: um, chat; dois, café; três, cama. E sim, Senhor Doutor, às vezes, há uma passagem pelo MSN, tipo alínea um ponto um, para averiguar as medidas e tamanhos envolvidos na questão, através de texto e imagem mais ou menos estática.

Mas nele o que me atraiu foi a subversão desses valores instituídos. Ele argumentava mesmo naquele chat e ainda por cima, com sentido de humor. A cumplicidade começou quando combinámos na janelinha privada continuar a moer o juízo a uma figurinha conservadora que por lá tinha aportado. Fazes frito, eu faço cozido e vamos a ela!...

Ele deu-me o número de telemóvel com a indicação «Para usar em caso de necessidade» ao que respondi em formato sms que estava a precisar de serviço de reanimação desde que dispusessem de equipamento para o efeito. Depois, Senhor Doutor, ele ligou-me no dia seguinte, começou por me dar os cabeçalhos do jornal diário e disparou «Sabes que vamos acabar na cama, não sabes?». Obviamente, era a única resposta possível Senhor Doutor!... Da primeira vez que nos encontrámos reconhecemo-nos pela sua matrícula TX, de Tarado Xequechual e foi um prazer ver uns cabelos compridos atados num nagalho, acompanhados de umas jeans que realçavam claramente o rabo e a protuberância junto do fecho éclair. Mergulhámos um no outro como se a manette das mudanças não existisse entre os dois assentos.

Fomos aprofundando os conhecimentos das nossas assimetrias e eu deixava sempre escorregar os meu dedos da base dos seus testículos para trás e voltava pelo mesmo caminho, continuamente, até ouvir o seu suspiro. Até ao dia Senhor Doutor em que o meu indicador decidiu perfurar por ali adiante gerando-lhe sons guturais que lhe gazeavam a face. Depois, enquanto nos calçávamos Senhor Doutor, ele decretou que nada daquilo tinha acontecido e eu proclamei em edital que não o conhecia de lado nenhum.

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