Está um dia tão bonito

Ai Senhor Doutor, o único problema de se viver sozinha é sentir, nalguns dias aquilo que a Adília Lopes expressa como «está um dia tão bonito e eu não fornico».

Quando era casada, Senhor Doutor, a questão era apenas encontrar formas de impedir que o sexo com a mesma pessoa não se tornasse tão rotineiro como fazer a cama todos os dias. Para não sentir que estávamos juntos como uma junta de bois.

O divertido Senhor Doutor, era inventarmos diferentes personagens, a falarem outras línguas, envergando até, às vezes, as roupas da figura fetiche e em cada dia, experimentar a descoberta de tocar um corpo novo, naquele corpo que conhecíamos de ginjeira. Porque, deixe que lhe diga Senhor Doutor, nestas coisas de cama uma imagem vale mais que mil palavras, mesmo considerando o sabor picante de umas palavritas em francês ou alemão.

Também por essa razão nos dedicávamos a conceber umas orgias visuais. Pé ante pé íamos, na época, ao clube de vídeo local alugar umas cassetes daqueles filmes X, com a Cicciolina, a Tracy Lords e o mítico John Holmes. Depois era pô-lo a correr no sofá da sala ou na cama do quarto.

É certo, Senhor Doutor que me recordo muito pouco do conteúdo dos filmes após os primeiros dez minutos de exibição mas é como nas porquinhas de chocolate do Luís da Rocha, de Beja: são lindas de ver mas eu gosto mesmo é de as comer.



(dedicado ao Sharkinho)

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