Seis sentidos

Senhor Doutor, sem menosprezo pela sua escrita que muito admiro, o calor que exalava do gosto das palavras, sons e cores da comunicação dele, descaradamente me faziam saltitar todos os sentidos. Se me permite, Senhor Doutor, ele fazia-me um autêntico minete à massa cinzenta, neurónio a neurónio, dendrite a denditre.

E Senhor Doutor, apetecia-me avidamente o seu corpo branco que para o caso até podia ser preto, amarelo ou às bolinhas, como se por contacto pudesse fotocopiar tudo o que nele me estimulava e em cada manhã me acodia à memória quando me pendurava debaixo do duche. Tanto lhe escrevia uma biografia inventada por puro coito, como repetia palavra a palavra, a intensidade da sua penetração em mim, enquanto estendida na cama, fazia do meu clítoris carrossel.

E depois Senhor Doutor, quando ele vinha direito a mim, não era possível desabar em mudez e em cada frase pronunciada, duvidava se tinha escorregado nas entrelinhas ou resvalado nas expectativas criadas como se adolescência me voltasse a circular no sangue.

Porém, Senhor Doutor, com a minha intempestiva mania de que para a frente é que é caminho, disse-lhe estupidamente «Amo-te muito» , como se existisse possibilidade de se amar pouco!...

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