A cor da lingerie




Oh Senhor Doutor, a maior trabalheira quando se troca de homem é ter de trocar também de «lingerie», tal como se carregam as roupas de inverno das arcas para o roupeiro na muda de estação. Porque repare o Senhor Doutor que se a maioria elege o preto acetinado a contrastar com a luminosidade da carne, também há aqueles que preferem o branco ou cor de carne, a sugerir uma nudez inocente a conquistar. O vermelho é que é uma cor apenas para comemorações especiais como aquelas colchas que se penduram das janelas das aldeias em dias de procissão.

Claro que também é preciso, Senhor Doutor, não esquecer a substituição de todas as confortáveis cuequinhas de algodão por «strings» de transparências e rendinhas, num rendilhado arte nova que evidencie as nádegas em pêra, apesar daquele fiozinho incomodar a nossa rotina quotidiana a friccionar constantemente entre as nádegas.

Quanto a mim Senhor Doutor ?!... Bem, a minha predilecção vai para os boxers escuros e justinhos, a moldar bem todas as formas arquitectónicas embora tenha que lhe confessar que da primeira vez, o que me fascina mesmo é descobrir no plástico termo-endurecido se este passa o dia com a boquinha tapada ou não.

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