Abuso



Oh Senhor Doutor, nós mulheres fartamo-nos de falar dos Clooney's e dos Bradezinhos, consoante a preferência por maduros charmosos ou eternos miúdos e ainda emailamos umas às outras estas imagens divinas, com títulos sugestivos como «vitaminas», «lavar a alma» ou «colírio especial», para as fixarmos nas retinas ou chaparmos mesmo no ambiente de trabalho em nome de uma nova alegria no dito.

Aliás, é sobejamente conhecida a «hora coca-cola light» em que moçoilos de calções esgaçados e curtinhos, estrategicamente presos em cabos que lhes avivam os volumes fronteiros, ou os rabinhos quando temos a sorte da corda se torcer, escorregam verticalmente pela fachada de escritórios vidrados de esponja em punho para gaúdio das pupilas femininas.

Mas Senhor Doutor, isto veio à conversa porque ultimamente me questiono sobre o facto de ao sonharmos eroticamente com alguém, com o apoio consciente ou não das mãos ou de adereços que o substituem, não será o equivalente a usar o outro para sexo independentemente da sua vontade? E no plano ético, não será isto abuso ou mesmo violação?

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