EM LOUVOR DE A OUTRA


Até que a morte nos separe


Continuando na senda das mulheres maduras, teria eu os meus trinta e poucos anos e, numa das curvas da vida, choquei com uma mulher que fez aqueles meus dias parecerem uma corrida de Fórmula 1, tal era a velocidade e adrenalina com que vivia.
Sendo eu na altura casado, não era suposto que acontecesse.

Não vou, Maria, descrever as tardes de amor (ou seria só sexo?), as longas cartas trocadas (ainda não havia MSN) ou até, todos os pretextos que serviam para nos encontrarmos, ainda que por breves momentos.

Nunca a incomodou o papel que lhe era reservado naquela relação proibida. Sabia exactamente o vértice que ocupava naquele triângulo. Sabia tirar partido das vantagens que só ela encontrava no facto de não podermos estar juntos nas datas festivas, nem nas férias, na dificuldade de passarmos uma noite juntos, no receio que tínhamos de sermos vistos juntos no cinema, de tudo se passar dentro de portas. Ninguém como ela, valorizava todos os minutos que podíamos estar juntos. Nunca me pediu nada e tudo recebia com um brilho nos olhos.

A única vez que abordei a possibilidade de ficarmos juntos, só me falou de roupa para tratar, jantares para fazer, obrigações com os filhos, noites em frente à televisão, sexo porque sim …

Que não… só tinha vocação para Outra.

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