Épsilon ao alto


Na acunpuntura, a escolha da agulha define a qualidade do tratamento e Senhor Doutor, apesar de não ignorar essa sabedoria milenar, no caso dele troquei-a por divagações sobre as construções que os homens fazem com pincéis, com teclados, com instrumentos, com as mãos, com o corpo todo.

Atafulhado de muito bifinho com batatas fritas, esse prato predilecto dos homens, cumulado por muito ovo a cavalo e acamadinho com muito uísque com gelo que a água não engorda, ele avolumara-se muito nos últimos meses embora se revisse apenas forte como o Obélix. Nos passos do sofá para a cama e da porta da rua para o carro, os anéis de massa adiposa iam balouçando mas era politicamente correcto atribuí-los à idade que certamente estaria a começar a pesar ou denominá-los simplesmente, curva da felicidade.

Primeiro, começou a custar-me fazer saltar o botão daquelas jeans tamanho 52 embora, sinceramente, me pesasse ainda mais que a sua barriga me cobrisse os olhinhos quando afincadamente o massajava com a boca e procurava partilhar a satisfação do seu olhar. A solução de recurso foi deitá-lo sistematicamente para não perturbar a minha linha do horizonte. Aliás, essa posição passou a ser a fórmula para garantir mais do que os seus extenuantes 120 segundos. O pior foi quando os carretos avariaram e a mola deixou de levantar, indiferente a todos os carinhos cometidos com os lábios, com os dedos, com lingerie ou com monitores. E ciente como ele estava que ir falar disso ao médico é coisa de gajas e que a sua idade não carecia de comprimidos azuis que é coisa de velhos, está bom de ver Senhor Doutor, que as práticas lúdicas foram à viola.

Foi isto que me fez crer que nascer com pilinha é a linha do destino do cromossoma épsilon mas, crescer é um opcional.

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