Postal pessoano


A 30 de Novembro último passaram 70 anos sobre a morte da Fernando Pessoa. Por isso aqui deixo , na tradução de Natália Correia, parte do seu poema erótico Epithalamium, escrito na língua inglesa e publicado em vida do poeta, em 1921, com o título «English Poems III».

XXI

E vós que hoje noivais
adivinhai estes instintos
do grupo concertado por apelos
que da natureza vós mesmo
genuínamente recebeis
e o vosso digno destino encoraja!
Bocas unidas braços nus
tacteados seios extuante sexo
fazei com que a vossa noite de prazer
justamente se cumpra!
Estas coisas ensina-lhes
oh dia de pompa de cio!
Inspira-lhes aqueles pensamentos
que deve provocar a proeza da carne
inevitável natural
como mijar quando o desejo aperta!
Faz com que se beijem se unam
com espontâneo entendimento se ajustem
e deixa que a noite vindo
aquele uso lhes ensine
que para os jovens é o gosto de abusar.
Deixa-os repetir o enlace
e o prazer derramar derramar
até que mais não possam!
Sim deixa a noite
seu reiterado unir-se no escuro vigiar
até que o pensamento de encandecido
aflija o desgaste
e sobre feridas formas venha o sonho
mastigar os seus nomes e abraçados
com seu amor sonhem ainda
e alguma coisa daí resulte!
E se acordarem
ensina-os a recomeçar
porque o tempo agora é todos deles.
Com júbilo com a angústia do sono enche
suas carnes em escaldante comunhão misturadas
enquanto exaustas as estrelas
no oriente o céu descoram e estremecem
onde a luz a noite desfaz
e com clamor de alegria
e adolescente rumor de vida
o tépido novo dia começa.

Lisboa, 1913




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