Teste vocacional


Não, Senhor Doutor, não fui para nenhum resort da Tailândia que me lembrei do tsunami de há um ano, lá e na Indonésia e no Sri Lanka e em boa verdade, nunca fui muito gaja de ir nas ondas. Não que faltasse motivo já que desde aí a pirâmide demográfica se inverteu e agora, há homens por todos os lados que até, vá se lá saber porque carga de água, continuam a viver de tenda armada.

Fiquei mesmo a comer o bacalhau com toda a família à minha beira. E a matutar na pena que foi trocar a alegria e o convívio das fogueiras a céu aberto das festas do solstício de Inverno, para rapazes e raparigas se catrapiscarem, por uma mesa de Natal com jejum de carne, ali atracadinhos a um bacalhau que outrora era barato e fácil de conservar pela salga.

Mas já que assim é, até poderíamos aproveitar a ocasião para testar a heterossexualidade das futuras vocações já que o Vaticano parece empenhado nisso. É que a sensualidade de uma posta de bacalhau tem lá tudo. De faca em punho, penetra-se a posta para conseguir as lasquinhas de carne para mastigar demoradamente. O paladar salgado a entranhar-se em cada poro da língua. O fiozinho de azeite para lubrificar cada pedacinho e facilitar a absorção. As couves para dar uma outra textura mais pilosa no céu da boca. Não lhe parece, Senhor Doutor que quem comesse tudo já poderia cantar de galo?



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