Estupidamente


Oh Senhor Doutor, se eu fosse estupidamente feliz não havia razão para vir ter consigo tantas vezes.

Os meus amigos já me aconselharam a trocá-lo por um blog, asseverando-me os efeitos positivos da blogoterapia mas o Senhor Doutor bem sabe como eu sou tímida para diariamente despir o meu umbigo à frente de toda a gente e mostrar na carne as marcas da passagem da idade e até as inestéticas gordurinhas acumuladas. Às tantas, ainda pareceria um monólogo da vagina.

E agora por isso, lembrei-me que outros amigos me falaram em fazer palcoterapia para combater a minha timidez, enfrentando um público que tanto podia aplaudir como patear e quiçá, motivar algum espectador mais assíduo a chegar-se a mim no final da temporada para discorrer sobre o enredo e o desempenho da minha personagem, concluindo coisas que a mim nunca me ocorreriam por estar demasiado embrenhada a despejar o papel e não a fazer sentido.

Porém, também esta opção me desgostou como se fosse um compromisso, quase um casamento exigente com um rol de coisas contratualizadas a cumprir em cada dia e sem espaço para devaneios, o que me leva a perceber a satisfação que me dão as suas pacientes orelhas a aconchegarem-me o desvario de caprichos e fantasias.

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