Minimal repetitivo




Ai Senhor Doutor, hoje acordei assim, que é uma frase bonita e original, sem a enormidade da adjectivação de soberba, fresca e leve.

Desde que ando a comer aquele intelectual da nossa praça que me deixei de danças do ventre, a rebolar as ancas, expondo despudoradamente as coxas e as nádegas em ritmos copulatórios aos olhos esfomeados, que isso são imagens demasiado óbvias. Também pus de lado a lingerie de transparências, aqueles baby-dolls onde claramente se distinguem os mamilos quando os seios estão espetados de luxuriante desejo e aquelas poses de dedo na boca com pestanejares cadenciados que dão aquela segurança maravilhosa aos egos masculinos de que é a primeira vez que fazemos tal folia e não vai haver lugar a comparações, que bem se sabe que isto são coisas imediatistas que qualquer um entende.

Aderi à moda minimalista e agora mostro-me a ele sempre completamente desnuda, apenas com a essencial cueca de algodão branco, antes de nos estendermos em alvos lençóis, sem sentimentalistos bacocos. Aqui estou, aqui me tens, tal qual um template da weblog. E abdiquei completamente de quaisquer laços e daqueles palavrões que me costumavam ribombar da boca quando apertava nos meus músculos pélvicos um túgido marsapo, a procurar romper caminho e lhe sentia a glande a aveludar antes de bolsar aquela mornidão relaxante, para apenas usar essenciais frases curtas como mete!, tira!, agora!, vai!...

Nada de adereços kitsch e folclóricos mas apenas o sério imperativo da palavra sobre a limpidez da minha pele como um território virgem inexplorado.

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