Feio é dizer adeus à carne

Ai Senhor Doutor que está cada vez mais difícil engatar um gajo e não me estou a queixar da falta deles nem da concorrência. Objectivamente, faltam é condições para a prática da modalidade.

Repare o Senhor Doutor que se quisermos levar um gajo a dar uma voltinha para o embalar nos balanços da viatura e como quem não quer a coisa, deixar descair a mão das mudanças para a sua perna, o preço da gasolina e das portagens seca-nos logo as intenções. E nem pensar no pretexto do carro novo para impressionar que se levantam diante de nós quais Adamastores, os novos e empolados impostos. Tentar a coisa nos transportes públicos só é opção para uma orgia de amassos em hora de ponta no único subterrâneo português, cujo aumento de linhas e de preço apenas contribuiu para o incremento da sudação humana, isto já para não falar do risco de estarmos a espetar um pedaço de excitação a quem nada pediu e tão descansadamente ia à sua vidinha.

E vamos ficando por casinha que o dinheiro mal dá para bifes, quanto mais para delírios eróticos com pães ou pessegões. Mais, com o frio que está, ligamos o ar condicionado ou qualquer outro aparelhómetro que nos garanta despir as roupas com o deslumbramento de quem está num óasis no meio do deserto com o sol a lamber-nos as carnes e baila-nos logo a imagem da conta da EDP que no final do mês nos tirará o sorriso e naquele momento, nos castra o desejo.

Com tanto aumento, Senhor Doutor, só não me aumentaram o amor próprio e por este caminho, estamos como as modalidades desportivas amadoras que se dedicaram a fazer rifas para sobreviver, pelo que continuo a pensar que mais feio que puxar uma baforada deste cigarro é passar os dias a definhar.




(Imagem de autor incógnito e som ambiente gentilmente patrocinado por Montes de Absolutamente)


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