Fibrilhação

Podia queixar-me de assédio no local de trabalho já que aqueles bons dias dados com um toque exacto de dedo deslizante na parte posterior do pescoço me desfibrilhavam durante um ror de segundos seguidos.

Mas não era agora que ia começar uma carreira de queixinhas e uma boa medida de gestão é aproveitar as melhores potencialidades de cada um. Assim determinada, convidei-o para um lanche cordial e no regresso pelo corredor desimpedido, encostei-o à parede, serpenteando os braços pela sua nuca e pescoço, para provar o móvel carnudo e alongado que se albergava na sua boca e descobrir que os seus beijos também eram espamódicos. Arrastei-o para a sala de arquivo, numa complicada dança de lábios enganchados, para ser arpoada no odor dos papéis. Tomei-lhe os carretos levantados enquanto os seus dedos me remexiam como minhocas. A sua língua molhava-me colo abaixo erigindo-me os mamilos em estalagmites e tornou-se um autêntico vendaval quando parecia descolar mexilhões por entre as rochas húmidas do meu centro de gravidade. Ainda meia zonza, sentei-o numa pilha de arquivos e aninhada entre as suas coxas, com ambas as mãos peguei-lhe no arpão e contornei-o para banhar cada aresta, cada milímetro de pele entumescida antes de o tragar de uma assentada como se faz aos joaquizinhos fritos, com cabeça e tudo.

Desde aí Senhor Doutor que apesar de não controlar a fibrilhação dos seus bons dias, sinto outro paladar quando lhe respondo "Olá!... Estás bom?..."

(no topo está um gif que veio atrás de mim de algures e do qual não guardei o chip de registo)

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