Trivialidades



Primeiro, Senhor Doutor, gostaria de lhe pedir o maior sigilo sobre a minha vinda aqui. Não é que não assuma o facto de o estar a consultar mas que necessidade tem toda a gente de o saber?... Uma coisa é dizer-lhe a si que é difícil aturar uma mulher como a Maria e outra, é contar os pormenores a toda a gente. Você é homem e entende-me que não fica bem comentar os defeitos de uma senhora.

Saiba o Senhor Doutor que quando alvitro que a refilisse dela se deve ao período, ela atira-me logo à cara que sou machista. Um gajo esforça-se e ela está sempre com detalhes. E depois, com aquela mania que ela tem de que a igualdade começa na cama e da porta de casa para dentro, o Senhor Doutor nem queira saber o que passo. Da última vez que lhe sugeri que estava na hora de fazer ski no Monte de Vénus completamente limpinho, não é que ela me disse que ia já fazer a marcação e de caminho arranjava também uma horinha para mim que estava farta de pêlos a meterem-se pelo nariz?... E ainda lhe digo mais; não é que um gajo está descansadinho a beber uma cervejinha e deixa a lata ou a garrafa vazia no sítio que está mais à mão e a Maria não perdoa e questiona-me logo se preciso de aumentar a graduação dos óculos para descobrir os ecopontos lá de casa, com o remoque adicional de que ambos sabemos que não são pilhões.

Sorte tinha o meu avô, Senhor Doutor, a quem a minha avó estava sempre a procurar o jeito. Agora a Maria exige-me que seja um expert na cama, um gajo bem humorado e com alguma cultura para conversar com ela e ainda quer que saiba fazer o mesmo que ela nas lides domésticas. O Senhor Doutor acha que é suposto um homem aguentar tanto?...

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