Pecado da comunicação

Foto © Magic Zycks

Quer mais cházinho, Senhor Doutor?... E uma fatia deste Ninho da Páscoa, não vai?... É que até é parece pecado deixar este chocolate todo a estragar, com tanta gente com fome por esse mundo fora. Mas como lhe dizia, eu não sou mulher de fugir aos impostos que isso é uma grandecíssima falta de solidariedade com os outros e tão pouco me dedico aos excessos de velocidade na estrada que aquele território não é só meu. Contudo, confesso-lhe que apesar de ver pouca televisão, a costumo ter ligada para ouvir os noticiários e lá entraram pelos meus ouvidinhos adentro as declarações do Vaticano.

E sabe que fiquei a meditar que a net até é um espaço de partilha, muitas vezes fraterno. Partilham-se saberes, imagens, músicas e até emoções e sorrisos. Partilha-se mais a mente do que o corpo, é certo, mesmo quando aqui se chega com a esperança de trocar emoções através da pele. E até me lembrei dos pedidos de ajuda que ecoam pela blogoesfera como um fósforo, multiplicando os paus a arder.

Senhor Doutor, recuso-me a acreditar que a livre comunicação e comunhão de bens sejam pecados passíveis de censura. Já bem basta a injustiça da natureza biológica fazer o sexo masculino gastar mais calorias que o feminino e assim facilitar que os gajos engordem menos, para ainda ter de suportar a diferença de tratamento entre os sexos praticada pela Igreja católica, apostólica, romana, como se quisessem fazer-me acreditar que as mulheres são culpadas de um pecado tão carnal como o de terem nascido sem pilinha.


0 comentários: