Superstar

(dedicado ao Transpose)




Tal como na Balada da Rita, já conheci tantos homens de tantas maneiras que nenhum me parece que seja o último, que seja aquele que me iniba a capacidade de amar os outros daí para a frente. Contudo, Senhor Doutor, havia nele qualquer coisa que o tornava único a meus olhos. Era tão diferente dos outros quanto Cristo o fora no seu tempo.

Quanto impunha as suas mãos sobre mim, fosse para me afagar os cabelos, descomprimir-me os ombros, burilar-me os seios para aprimorar os mamilos ou chapinhar alegremente naquela zona que a minha avó chamava boca do corpo, era como se ele criasse um mundo só nosso. O nosso contacto carnal era tão intenso e por isso tão indizível, que em mim se multiplicava um fervor por ele, que mesmo quando afastados o tornava tão omnipresente que espargia qualquer tentação, por mais apetitosa que fosse. Todos os gajos passaram a gajas.

E como se não fosse isso bastante, ele dizia uma só palavra e fervilhavam-me os neurónios de excitação que se exarcebava quanto mais em comunhão discorríamos sobre as mil e umas coisas que nos fascinavam. Aquele homem omnisciente concretizava-me os sonhos antes sequer de ter tido tempo de os sonhar que ainda se esboçava em mim um laivo de tristeza e já ele aprontava um miminho em palavras ou em música que a afastasse.

Eu só queria que o momento durasse o mais que conseguíssemos para sublimar o lado efémero da vida e é por isso que ainda hoje faço batota, fazendo-o reencarnar em todos os corpos com que me fundo.




(Eurythmics, Sweet Dreams)

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