Bebedeira


A mãe tratava-lhe da contabilidade doméstica e da conta bancária, apesar de ele viver noutra casa, como outrora lhe tratara com cremes do rabinho, em cada muda de fraldas. Ele tinha um ar doce naqueles olhos claros de água com reflexos dos cabelitos dourados e enchia-me de mimos como jantares excêntricos a desoras ou presentes constantes de bijuteria, a propósito de condizerem com o tom da roupa.

Obviamente que o seu desempenho de longos preliminares com preocupações de escolha prévia de banda sonora para o efeito, de ejaculações bem controladas para só rebentarem depois de mim, sustentavam a sua posição no cargo de "o meu gajo".

Foi um pulinho até começar a desculpar que aparecesse mais tarde no local de trabalho que o moço tinha direito a recompôr-se da árdua noite e rapidamente, ele começou a estender-se por todas as manhãs, porque tinha muito soninho. Continuei a justificar as suas ausências laborais já que ele era tão dedicado a gastar horas e horas a fio para me escolher presentes. Consenti até que usasse viatura e motorista da empresa para no horário de serviço ir relaxar o corpinho num Spa garantindo-lhe competências suplementares de disponibilidade e pele macia para a noite que se avizinhava.

Até que chegados à Cow Parade, me tiniu nos tímpanos um cochicho a atribuir-me lugar na exposição pública, dado ter serviços de cobrição à mama da empresa e corri a beber uma água gaseificada que é remédio santo para reduzir a ressaca após uma bebedeira.

(Foto © Porthsmouth, 2006, Swingers)

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