Insigne fantasia


Como era corrente, nos dias combinados, rodou a chave na fechadura e entrou. Deixei-me estar no computador que o calor destes últimos dias torna cada movimento uma árdua tarefa. Vi-o aproximar-se e com o tique de quem só usa óculos frente a monitores, retirei-os antes de arvorar os lábios para tocar os seus, não fossem eles incomodar a esgrima de narizes nas diversas estocadas de língua.

Pedi-lhe uns minutos para terminar e ele acomodou-se no sofá próximo, pernas cruzadas a chupar um cigarro, percorrendo com o olhar a minha pele não oculta pelas duas pequenas peças de lingerie que a minha visão periférica não me deixa mentir.

Ainda não tinha concluído a minha tarefa e reparei que a sua t-shirt e jeans pendiam nas costas do sofá, exibindo o topo das suas pernas uns boxers pretos. Sorri e comentei que em nome da sua paixão pelo Nick Cave já tinha apetrechado a casa de banho com Renova Black. Ele arrebitou do cadeirão e avançou para mim, um pé à frente do outro como um bailarino, para num gesto estudado e teatral me puxar para baixo as alças do soutien, argumentando que quando despimos as roupas descolamos a colonização inglesa e francesa que nos colam à pele. Estendi um braço para lhe descer os boxers, puxei os óculos para baixo e para cima para focar o produto nacional exposto e concordei que estava na altura de demonstrá-lo. Com um braço atrás das costas desapertei o que me tapava as mamas e estendi a boca àquela excrescência com gotas de orvalho como as alfaces frescas. As suas mãos desceram-me rapidamente pelos cabelos a segurar-me os seios, a contornar-me a cintura , a espalmarem-se nas nádegas, a rolarem a tanga por elas fora para se introduzirem em todas as fendas vulcânicas de mim. Soergeu-me para um beijo e fiz menção de retirar os óculos num gesto que ele travou. Sentou-se na cadeira giratória e manifestou o seu desejo de experimentar uma intelectual no seu local de trabalho e com as insígnias da profissão postas.


(Foto © Alex Lee, 2002)

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