Homem honrado


Não lhe falei dos recentes empreendimentos de Tróia, nem dos últimos modelos de familiares mas com um toque desportivo pelo que não entendo de onde tirou a ideia de que faria dele um homem honrado.

Acabadinho de resfolegar, assentou os cotovelos no colchão que estes lances implicam a tradição da liderança masculina, adoçou os olhos e com voz maviosa sobre o meu corpo protestou as suas sérias e firmes intenções de viver no sistema de casal que já tinha idade para tomar juízo e até enumerou o rol das suas posses e saldo bancário. Só faltou mesmo um daqueles novos anéis da Durex para a ocasião e como uma desgraça nunca vem só, ele revelou ter-me escolhido para a tal sociedade.

Não lhe podia responder que me ocuparia muito espaço que até era fininho e alto e essa coisada toda que permitiria a qualquer mulher catalogá-lo como escolha acertada para consumo caseiro e digno de mostrar às amigas. Também demoraria um tempão a explicar tim tim por tim tim porque não se encaixava na minha agenda há tanto afinadinha para funcionar em piloto automático. Afinal, nem sequer tínhamos a intimidade necessária para lhe expôr essas razões a nú.

É que lá por ter um delta de nascença aquela proposta apenas me merecia um markliano Oh com franqueza, pelo que me restou servir-lhe de bandeja a duradoura ligação que tinha a minha mãe e que seria incontornável que ela não vivesse connosco.


(Foto © José Lopes, 2006, Bacalhau Riberalves)

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