Liga-me!

O moço estava abatido e eu empenhei-me no papel de tia de ouvidos atentos para acolher a descrição da morena de cabelos compridos com olhos rasgados e luminosos, ou para abreviar argumentos, bué de bem feita, boa mesmo. Chamava-se Rita.

E ele que se afirmava um homem de voipes, um neologismo para mim que sou mais da geração dos vaipes, insistiu em ligar-lhe inúmeras vezes. A chatice é que ela nunca atendia o telefone, indo sempre dar de orelhas com gente que não fazia a mínima ideia de quem ela era, crendo mesmo o rapaz que ela lhe havia dado um número trocado propositadamente, que é uma coisa que amolga o ego a qualquer um.

Ainda alvitrei que fosse directamente a casa dela, coisa impossível de praticar já que ele desconhecia a morada dela ou até os sítios que ela costumava frequentar. Sem querer ser metediça ou invadir a intimidade do querido sobrinho perguntei como tinha conhecido essa rapariga que lhe espevitava o desejo e as agruras da falta de correspondência. Ele avançou logo com a televisão, clarificando prontamente que nada tinha a ver com as boazonas dos Morangos com Açúcar e sacou da sua carteira uma folha A4, dobradinha, que havia impresso da net e estendeu-me a explicação do mistério.

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