Anita datada

Karla que me "obrigou" a escrever isto)



A propósito de uma exposição que está em Lisboa, no Colombo até dia 15 do corrente, recordei-me que o primeiro livro desta colecção que tive nas mãos foi "Anita Dona de Casa" e apesar das ilustrações atraentes confesso que fiquei cheia de pena daquela menina que logo de tenra idade queria imitar o percurso de sua mãe. Claro que nessa época ignorava que as suas histórias tinham nascido em 1954 e espelhavam a mentalidade dessa década e nem adivinhava sequer que a Mafalda do Quino diria à sua mãe que não queria vir a ser uma frustrada como ela.

A questão é que a Anita era dona de casa e mamã e por isso mesmo muito menos atractiva que outras heroínas que tinha à mão de semear como a Lucy ou a Pepermint Patty do Charlie Brown que levantavam a voz, jogavam baseibol, vendiam limonadas e até ousavam catrapiscar os amigos. Caramba que até a Mônica, sempre atracada ao seu coelhinho, liderava a sua turminha. A passividade de Anita era gritante na suas vincadas características domésticas a que apenas acrescentava o ballet clássico para meninas, as aulas de música e de culinária e as suas naturais características de educadora do cão, do gato e do irmão.

A Anita não usava ceroulas mas facilmente ganharia aqueles concursos de fada do lar onde se exibiam as qualidades em lavores femininos e como se diz hoje, temos pena mas não estava disponível para deixar imprimir nos neurónios tenrinhos o modelo educativo daqueles livros infantis.


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