Bilu bilu


Aquele falsete trémulo ali estava a pedir-me para lhe ver a febre, para lhe trazer um cházinho para conseguir engolir os comprimidos que tinham um gosto tão horrível, o de limão com mel se faz favor como o da a mãezinha, para verificar novamente a temperatura que estava todo a escaldar, para lhe ajeitar a roupa da caminha que o assolavam uns arrepios de frio que não aguentava, para o ajudar a levantar da cama que estava tão fraquinho, para o amparar até à sanita que sentia umas tremuras nas perninhas que já nem sabia se sobreviveria àquela constipação, que era claramente visível que quase desfalecia como uma rapariguinha do tempo dos espartilhos.

E em tão débil estado alapou mesmo as nádegas na sanita sem necessitar da ajuda que de bom grado lhe daria para expulsar as gotas renitentes.

No regresso da casa-de-banho, lá depositei aquele dobro do peso de mim no quentinho da cama, assim como quem descarrega uma saca de batatas e a sua voz rouquinha quis que lhe alcançasse o comando do televisor e depois o mp3 que afinal não estava a dar nada de jeito e já agora o jornal, para ir lendo as últimas e que aumentasse a temperatura do quarto que tinha os bracinhos destapados.

Esta milenar agonia de homens-caçadores dos tempos em que uma constipação matava, ainda hoje vivinha da costa, devem ser saudades do matriarcado.

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