Essas putas

(Entrou-me pelo blog adentro um homenzinho rodeado de câmaras muito atentas para o filmarem sempre de baixo para cima, para parecer mais alto e desata a contar lendas e narrativas que até parecia que tinha pilhas Duracell. E enfim, dada a sua provecta idade, lá o deixei contar aqui uma e isto é uma vez sem exemplo.)


Aqui estou eu em pé, de costas ligeiramente arqueadas a fazer continuação com os braços e erguendo a voz em algumas palavras, para vos prender a atenção, para vos contar aqui a estória daquele rapazinho a quem a Júlia que não era florista mandou bugiar e daí é que veio a génese de toda a sua solidão.

Esta apenas era entrecurtada pelas visitas das suas afilhadas, bem-aventuradas de padrinho já que filhas de pai incógnito eram, cujas saias frescas e risos cristalinos enchiam os seus jardins da Estrela. De Viseu, também chegou a aparecer a Felismina, meneante com uma égua sem rédea curta. Fora disso, ocupava-se com a fidelíssima esposa de seu amigo, Maria Laura, em cujo terço superior do tronco repousava a vista quando cansada e mantinha as suas boas acções diárias observando atentamente o salero com Carmen Lara, no âmbito das boas relações com nuestros hermanos e dando muito consolo à viúva Carolina, coitadinha!...

Fala-se bastante de ter sido muito requisitado pelas entrevistas de uma jornalista francesa no que foi apenas um breve período que na sua vida de solidão e recato, apenas ia de quando em vez a um clube do Largo do Andaluz, para conversar mais proximamente com algumas mulheres, à vez, bem entendido, e tudo na maior decência das quatro paredes de um quarto.

Tanto mais que com precisão nem se pode dizer que tenha vivido 69, por mor daquele móvel feminino que no ano anterior o brindara com uma no chão.

E meus amigos, em verdade vos digo, que essas putas é que têem a culpa, porque como diria qualquer bom muçulmano expôr a carne dessa maneira, faz logo com que venha um gato para a comer.


(imagem gentilmente patrocinada pela Cinemateca Portuguesa)

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