Colchão


Os ditos eram mais que muitos e trocavam-se nos corredores durante os intervalos ou nas mesas do bar. Então já experimentaste o colchão? É bom para se deitar não é? E o melhor é que é insuflável, frase que provocava a cúmplice gargalhada geral.

Mantendo a tradição ancestral de Letras que agora já enxameia a maioria das faculdades, as mulheres gracejavam a propósito do indíviduo que a troco de umas anotações das aulas, de um sorriso ou de um simples bora lá, dava o corpo ao manifesto para estudos mais aprofundados de anatomia, investigações detalhadas sobre as erupções vulcânicas masculinas ou aplicação prática do prazer orgásmico como potenciador do desenvolvimento das capacidades cognitivas.

Tinha a enorme vantagem de não ser território virgem e ninguém ir lá ao engano já que qualquer colega podia fornecer antecipadamente todos os pormenores para banir qualquer espécie de insegurança, incluindo um mapa das distâncias do pescoço ao umbigo e deste ao insuflável, a descrição da respectiva curva de nível, o gráfico de frequências e até um glossário para interpretar o significado dos sons guturais que ele emitia durante a actuação.

Já a minha avózinha dizia que quem boa cama faz, nela se deitará e cada vez me convenço mais que era um dito acertado que o homem hoje é membro da direcção de uma empresa pública.




(imagem gentilmente enviada por T.A.)

0 comentários: