Fora-de-lei


Guiava como um maníaco mas os vizinhos até gabavam a sua mestria para as curvas difíceis e travagens bruscas e em abono da verdade, divertia-me a sua matricula TX, como se directamente das Beiras profundas ou dos antigos Lusitanos o cognominassem Tarado Xequexual.

O carro era o seu mundo e até para ir à tabacaria a menos de 500 metros de casa, deslocava-se sentado e o mais comum era encontrá-lo na rua onde morava, com o vidro recolhido, a falar com os vizinhos de cotovelo apoiado na janela . Até estranhei da primeira vez que experimentámos uma cama de tal forma a minha pele estava acostumada aos vincos do tecido dos estofos mas havia a explicação de naquele hotel da romântica Sintra se entrar directamente da garagem para o quarto que possuía cama redonda, espelhos por todo o tecto e paredes, um balde de gelo com champanhe e duas taças esguias e todas as tretas que constam no manual do erotismo, como uma banheira com jaccuzi.

E bem depressa percebi que era uma pena não ser um colchão de água porque aquelas pernas rotinadas em espaços apertados perdiam a mobilidade em tanta largueza de cama e lá tivemos de regressar à sua trivial pose de sela em que as suas mãos me impeliam a ser compressor.

Considerando que tinha pelo menos o bom gosto de não usar o colete reflector no banco do passageiro mas dobradinho na gaveta, deixei-lhe um papelinho preso nas escovas limpa-vidros para mencionar que fundido que estava com o seu carro não me dava pica ser apenas acessório de tuning.

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