Três Marias

(um marco sexodésico, segundo a São Rosas)

(Fernand Léger, Le Grand Déjeuner, 1921, óleo sobre tela, Museu de Arte Moderna de Nova Iorque)


Três Marias pode ser o nome de um vinho verde rasca, daqueles que quase por acaso também têm uvas na sua composição ou pode, quiçá, levar-nos a pensar numa qualquer actividade cabalística com bolachas Maria.

Mas as Três Marias hoje em destaque são Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, as autoras das Novas Cartas Portuguesas no Portugal de 1972.

Na época, era prática comum não se aplicar censura prévia à edição de livros e proibi-los depois. E assim, os Estúdios Cor de que Natália Correia era directora literária, lá publicaram a obra das Três Marias , e as respectivas autoras foram levadas a tribunal acusadas de terem escrito um livro com trechos imorais e pornográficos.

E para se constatar a falta de conivência com a moral de então basta respigar uns textos:


* "Hão-de de susto dizer-nos até lésbicas, porque sobre este corpo (seis seios da novela também rindo) não se podem pousar mãos a oferecer ou pedir prendas"

* "E o erotismo, senhores, e o erotismo? Em quase todos os livros chamados eróticos (...) il n'y a pas de femmes libres, il y a des femmes livrées aux hommes. É essa a libertação que os homens nos oferecem, de repouso de guerreiro passamos a despojo de guerra"

* "Terá a mulher alguma razão para acreditar ainda no amor? (...) Para crer ainda na sua libertação enquanto for aceitando o que se lhe tem proposto até hoje: companheira, colaboradora... ou seja: sempre o papel subalterno e doméstico no mundo à mistura com a obrigação de parir e lavar as fraldas dos filhos (...)?"

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