Um homem às direitas



Como não sei ficar parada a olhar, fartava-me de baixar em cada vez que ia com ele tomar café no balcão da pastelaria da rua. É que ele tinha aquela característica tipicamente masculina, que não é a de coçar os tomates com maior ou menor descrição, mas aquela de não suportar usar carteira e espalhar as notas, as moedas e os cartões de débito e crédito pelos bolsos, a bem do bungee jumping do dinheiro.

Um contraste num homem tão arrumado em tudo, com a vida tão organizadinha que até se casara há mais de um dezena de anos para ter mais uma pasta arquivada que não o preocupasse, tal e qual o fado do Fernando Farinha que alvitrava já tenho o dever cumprido e não estou arrependido, como se tatuasse por si todo a marca do homem de sucesso concretizando tudo o que dele era esperado no lema de que a vida é um conjunto de merdas para cumprir.

E estando ele assim armado de tanta segurança, nem valia a pena preocupá-lo a confessar que notava que tanta insistência em tomar cafézinho naquela casa onde o dito saía invariavelmente queimado e qualquer italiana sabia a café cheio se prendia com os corpos das jovens empregadas que gracejavam num doce português do Brasil e cujos peitos empertigados provavam que não tinham sido tinham sido escolhidas a dedo mas à mão cheia.

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