À cause des mouches

(Foto © Dragonfly, 2006)

Quando é apenas para dar uma quecas qualquer gajo com um rolo de fita adesiva na boca para evitar que diga banalidades e um saco enfiado na porção que nos custar mais a encarar serve, porque a bem dizer, desde que aquela parte que lembra o elefante que toca a sineta no Jardim Zoológico funcione, que se dane o resto.

Embuída nesta sabedoria popular lá seleccionei uns candidatos naqueles clubes de amizade netianos que não escarrapacham na página de entrada "112 de fodas rápidas" apenas para arrebanhar como peixe tudo o que venha à rede. Mas o meu mau feitio foi mais forte e comecei por eliminar todos os que não alinhavavam duas frases seguidas e os que usavam o cê cedilhado em palavras como você. Ficaram pouquinhos e aí o critério foi o ananim ananão ficas tu e eu não.

Redigi ao sorteado uma mensagem a marcar um encontro, para um cafézinho como vem nas regras da etiqueta e foi fácil localizá-lo à porta do estabelecimento naquela posição característica de gajo que faz das suas mãos protecção de boladas. Lá fomos tomar algo para o estômago e para ganhar o espaço para desenrolar aquelas perguntas da praxe sobre a actividade profissional, os passatempos, os gostos gastronómicos e essas coisadas todas porque os gajos são muito sensíveis nisso e temos de lhes fazer crer que eles são especiais para nós pelas suas características próprias e nunca atirar-lhes de chofre com um gostava de te foder, vamos a isso? que é daquelas expressões que eles julgam ser um exclusivo masculino.

E como o gajo até tinha boa figura à vista desarmada, falara sem erros de pronúncia e tinha acesso à net, não me pareceu mal encaixado falar-lhe de blogues e da boa aceitação que tinha tido a imagem do pescoço de galinha o que o levou a recordar-se da casa da sua avó na província onde havia muitas galinhas e "piruns". Ao ouvir isto, o tímpano começou a dar-me vertigens e o estômago começou a revolver-se como se não conseguisse desmanchar os galináceos que se encaminhavam vertiginosamente para pressionar o meu esófago numa enxurrada prestes a sair pela boca e tive de deixar o mouro na costa murmurando que me devia ter parado a digestão.

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