Desvario


Ouvi a prédica dominical do senhor professor e assim é que é falar que uma mulher não pode abortar só porque naquele dia teve um desvario e ficou para aí virada. É que tal e qual como as meninas do princípio do século vinte que de aflitas que estavam nos seus espartilhos desmaiavam muito, também agora as mulheres são muito dadas a síncopes do cérebro que lhes provocam os tais desacertos. Ai, que se não estivessem cá os homens para orientá-las o que seria delas, coitaditas.

E pela mesma ordem de ideias é muito bem feito que lhes peçam explicações que se para o bem bom estão lá, também têm de estar para o castigo que não é impunemente que se decide sobre a vida de um cidadão de um país com tantos séculos de história. Aliás, agora que penso nisto julgo que também se devia pedir explicações a cada mulher quando quer ter um filho para garantirmos que cada português nascido tem os valores tradicionais desta nação. E como as mulheres são dadas a desvarios é melhor pedir explicações também a cada pai. Mesmo que não queiram dar o nome à criança ou não façam a mínima tenção de contribuir para o seu sustento, são chamados à pedra logo ali e façam favor de explicar para que querem os filhos que isso de serem chamados depois a tribunal e não cumprirem com nada é muito facilistismo.

Se é do conhecimento geral que quem brinca com o fogo se queima, toda a gente tem de deixar tudo muito bem explicadinho e se não quiserem, montam-se umas câmaras em cada casa para memória futura.

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