Guarda-roupa


Trinta voltas ao filho da mãe do guarda-vestidos e não encontro nada para vestir. Estas calças têm uma cor demasiado berrante e aquelas estão completamente fora de moda. Esta blusa parece da minha avózinha e aqueloutra é uma autêntica piroseira com tanta bolinha a granel. Como último recurso tenho sempre os jeans com uma camisola de cor única que vão com tudo e com nada como o branco dos frigoríficos.

Azarito é este guarda-roupa se parecer tanto com os homens que encontro. Falta sempre um pedacito maior que um Danoninho para me apetecer despi-los. Ou são formais e antiquados como um fraque ou tão práticos e obtusos como um fato de treino a passear num hipermercado. Anda uma gaja a queimar tanta pestana para esculpir a massa cinzenta e a massa adiposa no vão intuito de criar um conjunto agradável aos cinco sentidos do qual até se orgulhe de ver o reflexo nos espelhos lisos e nos dos olhos dos outros em geral e afinal acaba por só embater no denominador comum de gajos que querem conduzir as mulheres como na tradição das danças de salão.

Ora como não me posso despir de quem sou poderei sempre reservar à roupa e aos gajos o lugar de extintor: usar em caso de emergência.

0 comentários: