Postal E agora José?



Nascido a 31 de Outubro de 1902, Carlos Drummond de Andrade é um poeta brasileiro, que ao falecer em 17 de Agosto de 1987 deixou inéditos um conjunto de poemas eróticos que viriam a ser publicados no Brasil apenas em 1992 e no ano seguinte, em Portugal.

E é desse Amor Natural que aqui ficam dois poemas:


Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.

Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.







O chão é cama

O chão é cama para o amor urgente
amor que não espera ir para a cama.
Sobre o tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.




(imagens gentilmente patrocinadas por Drummond e AMEA/World Museum of Erotic Art )

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