Anda Pacheco!

Já em tempos trouxe aqui este poeta de Campo de Ourique que hoje na Casa Fernando Pessoa, também nesse bairro, conta mais uma para comemorar o seu aniversário completado há exactamente uma semana. Assis vale, Fernando! Anda Pacheco!


Pus-vos a mão um dia sem saber
que tão robusta e certa artilharia
iria pelos anos fora ser
sinal também de lêveda alegria

amigos meus colhões quanto prazer
veio até mim em vossa companhia
a hora que tiver já de morrer
morra feliz por tanta cortesia

adeus irmãos é tempo de ceder
à dura lei que manda arrefecer
o fogo leviano em que eu ardia

camaradas leais do bem foder
o brio a fleuma cumpre agradecer
sem vós teria sido uma agonia


Lisboa, 29-XI-94, 23-XII-94
(Fernando Assis Pacheco, Respiração Assistida, Lisboa: Assírio & Alvim, Lisboa, 2003)




O cu da Maruxa

Um cu que se desvela em Agosto em Ourense
redondo para olhar um cu magnificente
um cu como um bisonte
o teu cu Maruxa adivinhado num restaurante

eu rimo tanto cu que trago na memória
o teu fará por certo mais história
é um cu para a glória é nena impante

rodando na cadeira el’ deixa-nos suspensos
quase presos Maruxa pelos beiços


lembra-me nédio raxo assim forte de febra
lêveda e alva nas Burgas cozinhando
se de soslaio agora se requebra

é como canta Maruxa! igual que um pássaro
ao qual neste mesón péssoro vénia

teu ouriflâmio cu me faz insónia


(Fernando Assis Pacheco, Variações em Sousa, Lisboa: Edições Cotovia, 2004)

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