Aula de castidade


Praticar sexo faz bem à pele e à moleirinha, por ser um anti-stress e anti-depressivo natural, e por mais mil e uma razões que qualquer médico vos explicará melhor que eu.

Então para quê a castidade, perguntarão vós?...

Imaginem que vivem em África, que já acabaram os preservativos que as ONG's por lá distribuiem e que nem têm dinheiro que chegue para os comprar no mercado negro. Aliás, com a fome e em alguns casos, até com a guerra que por lá campeia, a sida é só a preocupação seguinte porque instintivamente procura-se sobreviver, conseguindo comida e escapando da morteirada. Quem é que numa situação dessas tem vontade de foder?...

É uma castidade imposta pela situação mas a falta dela é desejo de suicídio.

Mais perto de nós, recordo sempre aquele Dia das Mentiras em que o Mário Viegas morreu de verdade. O mundo em que podíamos ter sexo com quem e quando nos apetecesse desmoronou. A maravilhosa pílula que deu liberdade à mulher precisa agora de funcionar em conjunto com um preservativo ou umas análises credíveis. E isto retira toda a magia do momento, da concretização do desejo ali e já, para se tornar quase num acto médico ou burocrático.

Dir-me-ão que a alternativa passa então pela monogamia. Que é uma repressão sobre os instintos da espécie que somos, porque se assim não fosse, todos os povos, independentemente da sua cultura e organização social, seriam monogâmicos. E se todos os dias envelhecemos, também todos os dias algo em nós muda e por milhentas razões que me escuso de enumerar porque todos as conhecem, há um dia em que até o casal mais perfeito já não se reconhece e facilmente tem desejo de outro.

A castidade não mata. Ninguém morre por não ter sexo durante algum tempo ou então, todos os dias morreria gente nas nossas prisões. Ou em suas casas e em todos os escalões etários. É tal e qual como gostarmos de lagosta mas só a comermos lá de longe em longe porque o dinheiro não chega para mais.

Se somos livres e responsáveis para tomarmos as nossas opções, a questão é se preferimos poupar para saborear lagosta ou se aceitamos comer carapauzinhos todos os dias.


(Este texto é o resultado de um desafio da Vanus)

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