Lamechice eminente


A arquitectura do edifício fê-lo balançar e os monitores tremelicaram mais as putas daquelas plantinhas altas e vistosas que por uma carga de água qualquer é habitual invandirem a selva dos open space. Entreoalhámos-nos de vistas arregaladas a balbuciar em coro tremor de terra.

Instintivamente peguei-lhe a mão e arrastei-o para debaixo das secretárias metálicas que nos obrigavam a sentar em posição de lótus, mais coisa menos coisa. Aquela semiobscuridade destacava mais o brilho dos seus olhos mas a interrogação pendurada nas suas sobrancelhas fez-me sossegá-lo que numa hora daquelas não lhe pediria sexo tântrico, sobretudo porque não sabia se o tempo do abalo daria para isso. Riu-se mas na sua habitual lucidez lembrou que havia sempre a hipótese de morrermos. Levei o polegar à boca para debicar as palavras seguintes em que aventei que se assim é, nada melhor que o lema do ISCTE, como é que é, como é que é, conas abertas, caralhos em pé. Desmanchou-se-lhe a compostura e riu-se regateando que naquela situação estava com o pénis dormente. Ergui ambas as mãos num aceno de limpa-vidros a exibir dez dedos e as suas mãos agarraram-nos todinhos em concha e o filho da mãe do sismo teve de parar naquele minuto para denunciar a minha tremura.

As pálpebras tinham-lhe achinesado o olhar dengosamente e aliviada nesse retrato disse-lhe para ficar ali à minha beira para a terra tremer outra vez.


(imagem gentilmente enviada por email cuja autoria será atribuida a quem provar pertencer-lhe)

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