Pastel de bacalhau

(Foto © Cristina Oliveira, 2007, Menir da Meada

Desde que o conhecera que trazia estampado na largura e comprimento do rosto aquele ar patético de supresa e deslumbramento que confirma que espantar a solidão é mais viciante que Red Bull.

Não obstante, ela insistiu em falar comigo com umas sobrancelhas descaídas a indiciarem que nem tudo ia bem no reino dos céus pelo que fiz de mim o seu saco de plástico para que pudesse vomitar tudo. Vai daí, ela começou elegantemente pelo lado positivo dele ser muito trabalhador no que convinha, quase sempre em estado de prontidão, reforçando este facto com uma piscadela para confirmar que ambas sabíamos do que estávamos a falar. Reportou-se a umas fotos de uns pénis erectos que eu lhe havia mostrado para alegar que justamente não tinha nada a ver, tendo mesmo de reconhecer que nunca nos dias da sua vida conhecera nada tão pequeno em estado vivo. Como eu pedisse dados de comparação, ela esticou o dedo indicador e repetiu pequeno, pequeno.

Mas como há muitas formas de levar água ao moinho, procurei averiguar se faziam farinha e ela, com os olhos a piscar mais que luzinhas de Natal descreveu que depois de longos minutos de intensos amassos bastava uma pontinha para fazer o clic. Só que tantos menires observados na planície alentejana, tantas imagens grandiosas alinhadas na pornografia a faziam duvidar da normalidade do que tinha à disposição, mesmo sabendo que os pénis são como qualquer pastel de bacalhau em que conta menos a salsa e o formato do que a qualidade do sabor quando os estamos a comer.



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