Caixa alta



No tempo em que as últimas notícias eram espalhadas pelos furinhos de uma fita amarela igual à do telex que usava, tu eras a crónica dos meus dias.

Não precisei que um passarinho me contasse da tua disponibilidade tal era a obsessão de te pesquisar todos os meandros como se fosses a cacha e me coubesse ser a tua máquina fotográfica, pendurada no teu pescoço e colada ao teu corpinho. Ouvia da tua língua a explicação da escolha dos ângulos para cada fotografia e acabei siderada com o teu alcance quando a tua língua amiga me fez explodir logo nos minutos iniciais da primeira entrevista. Registei os teus depoimentos de boca aberta mais na faixa do meio do meu peito e como se fora uma cassete, no evidente lado A ou na pista alternativa,até à exaustão do nosso assunto.

Não sinto remorsos se me deitar com mais 333 homens que a paginação de cada cicatriz, de cada ruga, são paixão impressa no rosto e a cura dos ciúmes.

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