Em agenda


Ele estava muito falador para além do que era uso e costume denunciando bom humor, talvez pelas perspectivas que se abriam e confidenciava-me num escarninho cúmplice que mulher amada é mulher molhada, um provérbio antigo que ele aprendera quando já andava de eléctrico.

Como se a sua língua me tivesse feito cócegas no umbigo forcei um sonoro sorriso que não estava ali para o desmoralizar mas tinha mais que fazer naquela tarde e procurei despachar o telefonema assegurando-lhe que como a Madonna o colocava com hora marcada na agenda, ao anoitecer.

Quando passavam 5 minutos da hora marcada ele ainda nada. Mais 10 minutos que bem sei que deu para fumar dois cigarritos e nem sinal dele. Ao cabo de mais 15 minutos lá apareceu em linha a desculpar-se que tinha o carro bloqueado por mau estacionamento, com fitas à volta e todo o restante aparato e não se despachava tão cedo pelo que se não me importasse de passar para outra altura ficaria muito agradecido.

Protestei que tão tardiamente não se desmarcava assim uma coisa e que não era bonito brincar com o trabalho das outras pessoas porque caso não tivesse notado, isto era o meu trabalho.



(este post foi influenciado pela leitura do Folhetim do Garfanho)

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