Pintelhices


Um destes dias deixo-me de diplomacias e começo a espetar murros nos queixos de um ror de gajas e gajos que cirandam por aí que não quero sujar o chão todo por estoirar sem aviso prévio, nem servir de pasto precoce às rugas.

Candidata primordial é aquela avezinha que passa o tempo a examinar a roupa das outras em busca das etiquetas escondidas, dos vincos fora do lugar e sabe-se lá de que mais até lhe sair a chave do seu euromilhões ao descobrir o azar de dois pingos de café entornados ou de uma linha descosida para logo verter a novidade a uma matilha esfaimada de encontrar defeitos nos outros. Talvez também o outro que divisa a alegria de todo o seu santo dia quando alguém não vê o superior hierárquico e incorre na falta do bom dia para assim poder apodá-lo de mal educado num boato posto a circular a mais de mil à hora. Ou aqueloutra que rejubila sempre que encontra cabelos brancos ou infidelidades conjugais tal qual uma repórter das actuais revistas de programação televisiva, certa da sua superioridade moral que alardeia na máquina de café e às vizinhas na hora de despejar o seu lixo.

Contudo, estou indecisa se não deveria antes apresentá-los todos ao Manuel Pinho, ministro da economia e inovação, sensibilizando-o a encontrar mercado para tanta colecção de pintelhos já que a sua exportação aumentaria certamente o PIB.

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